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Medidores de potencia, frequencimetros, gadgets... Em qual vale a pena investir?

February 13

A tecnologia está vez mais presente no nosso dia a dia e isso é indiscutível. Essa evolução também se faz notória nos esportes e cada vez mais vemos aparelhos e gadgets que prometem nos auxiliar na melhoria dos treinamentos. Cada vez mais vemos atletas usando "ciência de foguete” na sua preparação.

     Há cerca de 20 anos assistimos o surgimento dos medidores de freqüência cardíaca no relógio. Esses relógios foram evoluindo e passaram a incluir localização por GPS, altímetros, barômetros, calculadoras de VO2… Depois vieram os medidores de potência para as bicicletas e, mais recentemente, os medidores de “potência" para corrida. Números, números e mais números que exigem um belo programa de computador para que se faça a análise dos mesmos. Mas será que esse “big data” pode realmente ajudar o atleta? Ou será que tudo isso pode até atrapalhar?

     Muitos atletas se sentem perdidos sem um número para usar de guia. Precisam pedalar conforme a potência prescrita para aquele dia, ou manter a frequência cardíaca pedida para aquele treino ou sustentar o ritmo (pace) durante os tiros. Em momento algum esses atletas prestam atenção em como estão se sentindo e em como está a sua sensação de esforço. Se guiam pela matemática fria dos números e esquecem que o corpo humano não é exatas, é biológicas e humanas. Números estão sujeitos a diversas falhas, desde uma medida inadequada do sensor ou do potenciômetro até a parâmetros estimados em condições diferentes das dos treinos. Isso sem contar fatores inerentes ao atleta e que são extremamente variáveis, como tempo de sono, descanso, alimentação e etc.

     Não somos contra o uso de gadgets para treinar, apenas não deixamos que nossos atletas se tornem escravos deles. Tentamos fazer nossos atletas conhecerem seu corpo, aprenderem a escutá-lo, entenderem quais são as intensidades de treino e usarem isso em todos os treinos. Na Trisutto acreditamos que os números dos gadgets não devem limitar ou guiar o atleta. Quando muito, ajudam o técnico a entender melhor o que aconteceu durante um treino (Brett Sutton não dá bola nem para a freqüência cardíaca da Daniela Ryf, o que dizer das medidas de potência - ops, a Angry Bird não usa potenciômetro).

     Assim, da próxima vez que você pensar em gastar R$ 5000,00 em um gadget, pense melhor… Dá para pagar quase um ano de salário de um bom técnico e isso sim irá fazer você melhorar.